A recuperação da economia brasileira em 2021

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A estrutura de recuperação da economia brasileira em 2021

A pergunta que estamos nos fazendo agora é: como será a economia de nosso País em 2021? O ano de 2020 foi ruim por conta da pandemia, mas não tão ruim quanto imaginávamos no início do ano (previsões de queda de mais de 9%, contra queda de “apenas” 4,1% no final do ano). Mas, no ano passado, tivemos injeção de quase R$ 250 bilhões via auxílio emergencial, sem contar os programas emergenciais de empregos e de crédito, com foco na manutenção de empresas e renda.

Para fazer a análise do que esperar para 2021, precisamos considerar que não teremos espaço fiscal para fazer as mesmas injeções de recursos. O crescimento econômico, então, depende praticamente na sua totalidade da aceleração da vacinação, por meio do Plano Nacional de Imunização (PNI).

Qualquer outro tema é secundário na previsão econômica deste ano. Sem vacina para todos não teremos tração nem no comércio e nem nos serviços, mesmo com a retomada de funcionamento dos estabelecimentos, sempre sujeitos a medidas locais de restrição conforme avanço dos níveis de contaminação pelo novo coronavírus. Estaremos fadados a um resultado tão ruim ou até pior do que o de 2020. Para evitar esse cenário, a ampla vacinação da população se faz imprescindível para que a economia retome, garantindo que empresas possam abrir e permanecer abertas.

Crise econômica

Com base nisso, temos um cenário ainda fraco com a tímida recuperação para o primeiro semestre desse ano. Apesar dos números de emprego do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) se mostrarem positivos, o aumento necessário dos juros pelo Banco Central (Bacen) e o limite imposto pela condição fiscal do governo, deve pintar um primeiro semestre não dinâmico. Devemos lembrar, também, que o Caged padece de limitações na sua base de comparação por ter mudado a sua metodologia.

A indústria, por exemplo, que mostrou número positivo em relação a fevereiro de 2020, ainda está recuperando estoque. Há, ainda, o efeito do auxílio emergencial, que deve ser reduzido, dado que não representa nem 20% do valor disponibilizado em 2020. Devemos sentir uma retração na indústria entre março e abril.

Comércio e serviços estão sendo duramente castigados com o efeito das restrições. O varejo paulista, por exemplo, mesmo com a injeção de R$ 1,54 bilhão do auxílio emergencial destinado ao consumo das famílias, previsto a partir de abril, a provável manutenção das medidas de restrição de circulação de pessoas, de funcionamento de lojas e de fechamento de atividades não essenciais fará com que o setor feche o mês que vem com um faturamento 3% menor do que abril de 2020 – que, à época no auge da primeira onda de covid-19, registrara retração recorde de 23%.  Só no ano passado a perda foi de R$ 24 bilhões nas vendas apenas das atividades varejistas restringidas, fora prejuízos de demais setores, como os serviços e o turismo, segundo os estudos da FecomercioSP.

Recuperação

Pelo cronograma da vacina e pelos números econômicos, a recuperação deve iniciar-se somente no segundo semestre. Devemos nos preparar para um ano desafiador, que dificilmente atingirá os 3,5% de crescimento projetados inicialmente pelo setor privado e pelo governo.

Nesse contexto é importante que o governo reforce nova rodada de medidas de flexibilização trabalhista; a liberação do auxílio emergencial, com valores pertinentes para a sociedade em geral; a criação do auxílio emergencial destinado às pequenas empresas; a reedição do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) ; e melhores condições de parcelamento e carência no pagamento de tributos municipais, estaduais e federais vencidos de abril até junho deste ano.

Além das medidas para garantir uma retomada econômica, é importante olhar com urgência para a reconstrução do País, com uma estratégia organizada de todos os níveis de governo para tentar diminuir o tempo que esse cenário mais pessimista venha a ocorrer. Medidas duras são necessárias e apoio dos governos para as empresas e cidadãos são essenciais agora. Se houver uma estratégia fiscal bem definida para a defesa contra a pandemia e outra estratégia para ajuste logo depois disso, os mercados entenderão de uma forma mais tranquila do que uma incerteza fiscal permanente.

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